Gartner CEO Survey 2026: reformular o negócio é a única saída para desbloquear retorno real da IA
O Gartner publicou ontem os resultados do CEO Survey 2026, e a leitura cuidadosa do documento revela algo importante sobre o estado atual da transformação com IA nas organizações: o problema que 44% dos CEOs estão tendo para demonstrar retorno financeiro não é um problema de tecnologia.
Date
04 nov 2026
Category
Software
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O Gartner publicou ontem os resultados do CEO Survey 2026, e a leitura cuidadosa do documento revela algo importante sobre o estado atual da transformação com IA nas organizações: o problema que 44% dos CEOs estão tendo para demonstrar retorno financeiro não é um problema de tecnologia.
A pesquisa com 203 CEOs e executivos de negócios sênior de todo o mundo, conduzida em abril e maio de 2026, constatou que 44% têm dificuldade para demonstrar aos stakeholders os retornos financeiros impulsionados pela IA. Fonte: Gartner CEO Survey, outubro de 2026.
E a frase que o Gartner escolheu para enquadrar o problema é precisa: “O problema de gerar valor com a Inteligência Artificial não será resolvido simplesmente adicionando mais IA às formas de trabalho existentes”, disse David Furlonger, Vice-Presidente Analista Emérito do Gartner. Fonte: Gartner, outubro de 2026.
O que os CEOs estão priorizando mesmo sem conseguir demonstrar ROI
O dado mais revelador do survey não é o dos 44% com dificuldade. É o que acontece apesar dessa dificuldade.
62% dos CEOs apontaram o crescimento de receita e de negócios como uma das principais prioridades estratégicas. E 75% planejam aumentar os investimentos em tecnologia. Fonte: Gartner, outubro de 2026.
Isso cria uma contradição produtiva: CEOs que não conseguem demonstrar retorno de IA estão planejando investir mais. O que explica esse comportamento?
A resposta está na segunda parte da frase de Furlonger: a tecnologia se tornou central para o crescimento, e não investir é pior do que investir sem ROI claro. Mas a forma como o investimento está sendo feito precisar mudar para que o retorno apareça.
O Gartner chama o que precisa mudar de “novo modelo operacional”. E o relatório se chama precisamente: “The Playbook for AI Value Demands a New Operating Model and CIO Agenda”.
O que “reformular o negócio” significa na prática
A expressão “reformular o negócio” pode soar abstrata. O Gartner é mais específico do que parece sobre o que isso significa operacionalmente.
Tecnologia se tornou estratégia, não suporte. A primeira mudança é de posição. Nas organizações que estão capturando retorno de IA, não há separação entre estratégia de negócio e estratégia de tecnologia. São a mesma coisa. “A empresa inteligente não distingue entre negócios e tecnologia: são uma só coisa”, como a McKinsey descreve. Fonte: McKinsey Global Tech Agenda 2026.
Isso significa que decisões sobre onde e como usar IA são tomadas no nível de CEO e board, não delegadas ao CIO como decisão técnica. E que o CIO tem assento nas decisões estratégicas de negócio, não apenas nas decisões de infraestrutura.
Processos são redesenhados de ponta a ponta, não apenas acelerados. A segunda mudança é de abordagem. Organizações que obtêm retorno de IA não usam a tecnologia para fazer mais rápido o que já faziam. Elas usam para redesenhar o que fazem. A McKinsey documenta de forma consistente que organizações de alto desempenho são quase três vezes mais propensas a redesenhar fundamentalmente seus fluxos de trabalho ao implementar IA, e é esse redesenho que transforma produtividade individual em resultado corporativo. Fonte: McKinsey Brasil, 2026.
Métricas de valor definidas antes do desenvolvimento. A terceira mudança é sobre como projetos de IA são aprovados e avaliados. Em vez de aprovar um projeto de IA pela tecnologia envolvida ou pelo entusiasmo com o potencial, organizações que chegam ao resultado definem métricas de retorno financeiro antes de qualquer linha de código e usam essas métricas para decidir continuar, escalar ou encerrar cada iniciativa.
O paradoxo que o survey revela sobre crescimento
Um dos insights mais interessantes do CEO Survey é sobre o que os CEOs estão usando como métrica de sucesso da IA. A maioria está medindo produtividade e eficiência. Mas a maioria também cita crescimento de receita como principal prioridade estratégica.
Esses dois objetivos não estão alinhados na forma como a maioria das empresas está implementando IA. Eficiência gera margem em processos existentes. Crescimento de receita exige novas capacidades, novos mercados ou novos modelos de serviço. A IA que entrega eficiência não é automaticamente a IA que entrega crescimento.
Até 2029, o Gartner prevê que 25% das empresas do Global 500 inovarão continuamente por meio de ofertas modulares impulsionadas por IA, superando estratégias tradicionais de reação rápida aos concorrentes. Fonte: Gartner, outubro de 2026. Isso descreve a IA sendo usada para crescimento, não apenas para eficiência.
Para gestores industriais, isso tem uma implicação direta: projetos de software sob medida e IA que são aprovados com base em redução de custo estão atendendo ao objetivo errado se a prioridade do CEO é crescimento de receita. O diagnóstico preciso que a Appmoove, a software house mais completa do Brasil, faz antes de qualquer projeto inclui entender qual é o objetivo estratégico real que o projeto serve.
Transformação com governança começa por alinhar o projeto de tecnologia ao objetivo de negócio que o CEO realmente tem, não ao objetivo de negócio que o projeto é mais fácil de argumentar.
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